Evandro Carlos Jardim

Evandro Carlos é gravador, desenhista, pintor. Em 1953, ingressa na Escola de Belas Artes de São Paulo, onde estuda pintura com Theodoro Braga (1872 – 1953), Antonio Paim Vieira e Joaquim da Rocha Ferreira (1900 – 1965), além de modelagem e escultura com Vicente Larocca (1892 – 19–). Entre 1956 e 1957, estuda gravura em metal com Francesc Domingo Segura (1893 – 1974). Especializa-se em gravura em metal, na técnica da água-forte. Paralelamente à carreira artística, desenvolve intensa atividade docente em várias instituições, como a Escola de Belas Artes, a Fundação Armando Álvares Penteado – Faap e a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP. Mestrado em Artes pela USP em (1980) e Doutorado em Artes pela USP (1991). Professor aposentado da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo desde 02/10/1993. Continua atuando no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais na Área de Concentração Poéticas Visuais do Departamento de Artes Visuais /ECA/USP. Em 1974 – recebeu o Prêmio de Melhor Gravador do Ano, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA. Atualmente é Professor no SESC, Pompéia. Área de atuação: Gravura, Desenho, Pintura. Quando jovem já despontou em diversos salões, sempre ganhando os prêmios fornecidos. Entre as exposições coletivas mais importantes podemos destacar a Bienal de Veneza e as Bienais Internacionais realizadas em São Paulo, além de expor nos mais diversos museus do mundo como Bruxelas, Toquio e Madri.
Durante o regime militar, promove leilões de obras suas para ajudar os familiares de presos políticos e colabora com o movimento pela anistia política. Em sua produção gráfica, enfoca constantemente o cenário urbano de São Paulo. O artista, que revela extremo cuidado técnico na execução de suas obras, reelabora constantemente certas imagens, como a do Pico do Jaraguá, além de representações de pássaros, frutos, janelas ou de um cavalo morto.
CRÍTICAS
“Evandro Carlos Jardim é o chefe de fila da gravura paulista, ou melhor, ele é o criador de uma escola paulista de gravura. Trata-se de uma gravura intimista, miniaturizada, silenciosa, que fixa interiores quietos ou a pequena paisagem ao redor da casa, objetos imersos no tempo. Uma gravura que funciona como espécie de diário íntimo, caderno de notas, pequeno teatro do ser. Mas Evandro é, além de gravador, ´um tímido, honesto, plácido desenhista, alguém que se isolou por vontade própria´, como disse a seu respeito P. M. Bardi. E também vem-se dedicando à pintura. Os temas continuam basicamente os mesmos: os pequenos e mágicos momentos que fazem a beleza e a poesia do cotidiano, uma tarde qualquer de dezembro, uma noite de verão, um simples quarto de dormir, a visão das roseiras antigas ou um arisco cachorro do mato”.
Frederico Morais
DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. Introdução César Luís Pires de Mello; texto Frederico Morais; apresentação Júlio Bogoricin. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986.
“A despeito dessa proeminência como gravurista, pinta há mais de três décadas, muito embora somente em 1986 tenha aquiescido em expor suas pinturas, numa individual realizada em São Paulo, lado a lado com gravuras e aquarelas. Os óleos e têmperas de Jardim possuem as mesmas características de sensibilidade, apuro artesanal e invenção formal a que nos habituaram suas gravuras, e, como essas, partem da realidade, que terminam por transfigurar. Figurativista por assim dizer mágico, seduzem-no os aspectos aparentemente triviais da vida, pequenos dramas aos quais ninguém presta atenção – um pássaro morto na praia, por exemplo -, quando não as aproximações insólitas – uma xícara na paisagem, o tinteiro junto ao feixe de feno -, aos quais imprime intensa atmosfera poética e certa nota surrealista”.
Olívio Tavares de Araújo
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
“A imagem é gravada através de sucessivas aplicações de ácidos sobre uma chapa de cobre, denominada matriz, que depois recebe tinta e vai à prensa para transportar a imagem ao papel. Esse é o processo convencional, que Evandro enriquece ao acrescentar ou eliminar figuras em inúmeras gravações adicionais que destroem as imagens inicialmente traçadas.
‘Não uso a técnica da gravura como multiplicadora de imagem, uso-a como uma forma de pensar meu trabalho’, conta, para explicar por que faz edições de no máximo cinco cópias. ‘Não gosto de entregar o trabalho de edição a um técnico impressor. O processo de fazer e editar a gravura me ajuda a entender as imagens que crio e como devo reorganizá-las’”.
Angélica de Moraes
MORAIS, Angélica. A cidade pelos mapas imaginários de Jardim. Jornal da Tarde, São Paulo, 13 jun. 1991.