Romildo Paiva

BIOGRAFIA
 
Romildo Paiva nasceu em 02/02/1938, em São João da Boa Vista, São Paulo. De formação autodidata é desenhista, pintor e gravurista. Cursou história da gravura com Livio Abramo, na Séc. de Turismo e Cultura. Curso de Técnicas de Gravura com o prof. Rudy Pozzati da Universidade de Indiana-EUA, na FAAP, em 1974. Curso de Conservação / Restauro e Documentação Gráfica na ABER/SENAI em São Paulo em 1991. Semanário – Atualidade e Perspectiva da Profissionalização – O Artista Plástico no Brasil – pela Faculdade de Turismo e Letras ( Instituto de Cultura e Ensino Pe. Manoel da Nóbrega).
De 1982 a 2001 foi professor de desenho, pintura e gravura no Liceu de Artes e Ofícios (Centro Cultural São Paulo). Proferiu vários cursos, oficinas e palestras em faculdades e centro culturais de São Paulo e Rio de Janeiro.
Entre 2001 a 2005 foi professor de desenho e pintura no centro cultural da Casa do Restaurador SP.
A partir de 2006 começa a desenvolver trabalhos em arte digital, buscando uma integração do universo da gravura com esta nova mídia, considerando que as possibilidades de pesquisas são imensas.
Apresentou-se em mais de 40 mostras coletivas e salões oficiais, onde se destacam:
I e II Bienais de Artes Plásticas de Santos ( 1971 e 1972)
IV Bienal Nacional
XIII Bienal de São Paulo
Panorama da Arte Atual Brasileira em 1977 e 1979 no MAM-SP
VI e VII Salão Paulista de Arte Moderna
II e III Mostra Anual de Gravura da Cidade de Curitiba
I Bienal de Artes Visuais de S.J.da Boa Vista em 1998
 
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS:
 
1971 – Galeria ARPLA-SP (desenhos e xilogravuras)
1974 – Galeria da Fundação das Artes de S. Caetano do Sul
1974 – Galeria Itaú SP
1975 – Galeria do Clubinho dos Artistas – SP
1976 – Galeria Graphus – SP
1977 – Galeria do Centro de Convivência Cultural de Campinas – SP
1978 – Galeria de Arte e Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo – ES
1978 – Galeria Projecta – SP
1979 – Centro de Arte Cambona Porto Alegre – RS
1980 – Galeria de Arte Lacio – SP
1981 – Galeria Alberto Bonfiglioli – SP
1982 – Galeria do Depto. De Educação e Cultura de S.J.da Boa Vista – SP
2000 – Sala Especial ( Gravura ) Depto de Educação e Cultura de Jundiaí – SP
 
MOSTRAS COLETIVAS NO EXTERIOR:
 
1973 – Galerie Debret – Paris ( Núcleo de Gravadores de São Paulo)
1974 – III Bienal Del Grabado Latinoamericano de Puerto Rico
1974 – Semana Cultural Latinoamericana – Bonn – Alemanha
1978 – Instituto de Cultura Uruguayo ( Punta del Leste)
1978 – Incisine Brasiliane Contemporanee – Galeria darte della Casa do Brasil – Palazzo Pamphilj ( Roma)
1979 – Gravadores Brasileiros – Galeria 119 – Tel-Aviv (Israel)
1979 – IV Bienal Latinoamericano de Puerto Rico
1980 – Brasil Arte Gráfica Sociedad Colombiana de Arquitectos – Bogotá
1980 – Bienal de Artes Gráficas del Tercer Mundo – The Iraqi Cultural Center – Londres e Bagdad
1981 – V Bienal del Grabado Latinoamericano de Puerto Rico
2005- VII Biennle Internazionale per l’Incisione – Acqui Terme – Ovada Itália
 
PREMIOS:
 
Prêmio Aquisição de Gravura na XIII Bienal de São Paulo (Itamaraty)
Prêmio Estadual de Cultura no VI e VII Salão paulista de Arte Contemporânea
Prêmio Câmara Municipal de S.André no VIII Salão de Arte Contemporânea de S.André
Prêmio Antonio J.T. Garcia Lopes – VII Encontro de Artes Plásticas de Atibaia
Prêmio Andrade Gutierrez no IV Encontro Jundiaiênse de Artes
Prêmio Aquisição no IV Salão de Artes de S.Caetano do Sul
Conjunto das Obras – VIII Salão de Artes de S.Caetano do Sul
Prêmio Aquisição – VII Salão de Artes de Piracicaba
Prêmio Prefeitura no VIII Salão Nacional de Belo Horizonte
Prêmio Aquisição no III Concurso Nacional de Artes Plásticas de Goiás
Prêmio Estado de Minas – IX Salão Nacional de Belo Horizonte
Prêmio Prefeitura – X Salão Nacional de Belo Horizonte
Melhor Gravura de 1978 – Associação Paulista de Críticos de Arte
Prêmio Aquisição no XI Salão de Artes Contemporânea de Piracicaba
Prêmio Telepar – II Mostra de Gravura de Curitiba
Medalha Ciccilo Matarazzo – Centro Cultural Francisco Matarazzo Sobrinho
Prêmio Aquisição – Bienal de Artes Gráficas Del Tercer Mundo – The Iraqi Cultural Center – London – Bagdad
* Participação na Sala Especial na III Mostra Anual de Gravura de Curitiba
* Autor da Gravura – Prêmio aos melhores de 1976 e 1978 para a Associação Paulista de Críticos de Arte
* Citado no Livro VERSUS 10 Anos de Crítica de Arte de Jacob Klintowitz
Espade 1978
 
CRÍTICA
 
Textos selecionados de críticas e citações em jornais, livros, catálogos, e etc.
Por ocasião da exposição individual de gravuras -Galeria Graphus em 1976, parte do texto em catálogo:
…George Bernard Shaw escreveu:”Você usa o espelho para ver seu rosto e usa a arte para ver sua alma” Vejo a obra de Paiva e torno-me parte da sua aceitação, absorvo a luminosidade que surge dos seus fundos negros e sinto-me envolvida na problemática eterna de um mundo em evolução, sentida com a humildade de quem dela faz parte
 
Lizeta Levi
Associação paulista de críticos de arte
Texto crítico de Jacob Klintowitz ( Jornal da Tarde,12/10/1976)
 
Exposição individual – Galeria Graphus São Paulo
“O Iluminado artesão das folhas”
Romildo Paiva é, antes de qualquer outra coisa, um gravador. Isto é, ele preocupa-se com o fazer, o artesanato a combinação exata de ácidos, o tempo de morsura da chapa, a boa cópia, a limpeza do trabalho. E, como gravador, ele pretende que todas as coisas que ele organiza com seu cuidado de artesão diga alguma coisa de clara, inequívoca e determinada.
A sua exposição mostra um trabalho coerente, denso pleno de virtudes.
O artista trabalha a partir de um assunto único- folhas- e com esse assunto vai estabelecendo a sua visão do mundo, onde os claros e escuros mesclam-se, compõe um organismo onde importam apenas as possibilidades inerentes ao objeto e à sua capacidade de existir. E esse existir, em Romildo Paiva, é pleno de luzes, limpo definido.
A primeira coisa que o universo de Paiva estabelece é a capacidade de organização das coisas, dos elementos, a possibilidade de ser e estar coerentemente. Cada uma de suas gravuras é um momento íntegro da realidade. Ele escolhe um objeto para servir de apoio à descrição do real.
E esse objeto (a folha) e a sua montagem, o seu estar são organizados dentro de uma linguagem orgânica. Romildo Paiva é o anticaos.
Num momento em que a redução da linguagem equivale à redução da capacidade de entender e formular o mundo, os artistas que prezam a linguagem são sempre bem vindos. Romildo Paiva, por outro lado, pode ser inserido naquele grupo de gravadores jovens que estão se constituindo numa continuação da bela geração de artistas que o Brasil tem .
 
Jacob Klintowitz
Da mostra itinerante de arte gráfica de três artistas realizada pelo SESC em várias cidades, no ano de 1979 – escreve o critico Jacob Klintowitz
“Romildo Paiva tem elaborado em torno de um único elemento, a folha As ramificações, a forma geral, as nervuras, a luz, e todas as suas mil descobertas servem para este artista repetir a lição da grande arte que afirma ser a única forma infinita em suas variações e possibilidades. E estas possibilidades levam a Romildo Paiva à progressiva conclusão de que cada forma possui um protótipo platônico, uma forma ideal, e que o trabalho do artista é perseguir esta figura incansável. Uma arte metafísica.”
 
Jacob Klintowitz
 
Por ocasião da exposição individual em São João da Boa Vista e o recebimento do prêmio “Medalha Ciccillo Matarazzo Sobrinho” láurea oficializada pelo Governo do Estado de São Paulo e Centro Cultural Francisco Matarazzo Sobrinho.
 
Escreveu no catálogo, José Jorge Cury
 
… Na trajetória estética de suas gravuras o que se observa é a perfeição técnica, a elaboração aprimorada de todos os recortes por onde passa a “imagem” gráfica: luz, linhas, cores, formas,codificadas pelas água-forte,água-tinta, ponta-seca, aliadas à acuidade da impressão gráfica.
Diacronicamente, Romildo Paiva evolui do complexo “homem-engrenagens”, figurativo cibernético às estruturas orgânicas vegetais, busca metafísica da forma ideal-”as líricas folhas” da 2ª fase. A pesquisa constante e a procura de uma nova organização gráfica instigaram-no às paisagens abstratas das “maneiras-negras” da 3ª fase e, num salto prospectivo, a retomada da figuração as “pontas-secas” expressionistas da fase atual. Instaurando-se, portanto neste momento, o dialético: homem urbano solitário e o solidário homem das figuras-chagas do beligerante drama universal.
 
José João Cury
 
Catálogo da exposição individual
Prefeitura municipal de S. João da Boa Vista
Depto. De Educação e Cultura
Junho de 1982
 
Galeria Projecta S.Paulo ano 1978
Texto no catálogo da exposição individual – série das folhas-
” E este homem urbano sem memória, cercado de concreto e de restos inúteis, critica o mundo pela consciência do que está sendo destruído,das formas de vida que lutam por permanecer, neste contexto violento e opressivo. A tranqüilidade e a beleza das folhas fazem um apelo para que se olhe o que já não existe, tentam recuperar uma história e fazer vibrar a cor e a forma que se esforçam por existir recusando a inutilidade”
 
Ruth Cardoso
 
Texto do catálogo da exposição individual – ventos noturnos- gravuras em maneira negra – 1981 Galeria Alberto Bonfiglioli S.Paulo
 
“Dentro de um segmento, todo retorno é sinônimo de aprofundamento. Retornar à sua fonte é embebecer-se de si próprio. Ao sentir o desgaste do cotidiano, já refletindo em seu trabalho, Romildo Paiva submergiu em análise e hoje emerge com esta série de gravuras em maneira-negra.
O artista não mais apresenta o ser humano frágil, pisado, desfacelado, resultante do confronto com a agressividade do cotidiano, mas com toda sua liberdade, seu movimento em busca do primeiro plano, como o vigor de um montanha, que, ao recortar o espaço, muitas vezes adquire a expressão de um perfil. Isso confirma que o segmento de Romildo Paiva continua agora despojado e confiante em busca do domínio total. Sempre fiel à gravura em metal, a torna um desafio não só em técnica, pois esta Romildo domina em toda sua amplitude, mas também como linguagem para expressar seu momento agora,
Após um intervalo de mais de um ano de incubação, onde tudo isso seria germinado e elaborado, Romildo retorna de maneira complexa em seu conteúdo e simplificada nos elementos que apresenta, fazendo-nos acreditar em toda a sua força, falando-nos de toda sua introspecção
Hoje, Romildo sabe que seu segmento continua e que esta série – um desafio vencido-
Foi básica para sua seqüência que mantém o ser humano como elemento principal, como um todo presente e ocupante de seu espaço.
 
Maria Helena Webster
Porto Alegre – maio de 1981